sexta-feira, 14 de outubro de 2016

ASSÉDIO MORAL

Em entrevista ao Observatório da Educação, Silvia Barbara, professora do ensino médio da rede privada e diretora do Sindicato dos Professores de São Paulo (SINPRO-SP), aborda o tema da violência nas escolas e do assédio moral contra o professor. Ela avalia o projeto de lei 191/09, do senador Paulo Paim, aprovado em novembro pela Comissão de Educação do Senado, e que tem por objetivo disciplinar condutas e estabelecer o encaminhamento dos casos de violência em sala de aula. Silvia também fala sobre o assédio moral nas escolas e suas implicações no cotidiano escolar.


OE - O que pensa do projeto do senador Paulo Paim, que trata da violência em sala de aula contra o professor?

Silvia Barbara - O projeto de lei se refere a quando há danos materiais, lesões corporais ou morte. Não fala do aluno que se recusa a entregar seu celular ou xinga o professor. Por isso, por mais que respeite o projeto de lei do senador, tenho a impressão que já tem código penal e civil para resolver essas questões. Ele trata disso, e violência que estou sujeita como qualquer pessoa, não por ser professor. Já tem uma lei específica para o caso do aluno matar o professor, ou bater nele.

Não se trata de questões pedagógicas, mas policiais, sim. Por isso não concordo com o argumento de que esse tipo de lei só criminaliza e não resolve o problema pedagógico. Não é disso mesmo que se trata, mas de um tipo de violência a que o professor e qualquer outra pessoa pode estar sujeita.

OE - Nessa temática da violência contra o professor, o que é mais comum nas escolas particulares?

Silvia Barbara - Ultimamente, estou preocupada com outro tipo de violência que talvez não seja essa tão aberta, escancarada. A agressão física é clara. Mas existe a violência que talvez não seja tão explícita, ou classificada como agressão, mas que corrói o cotidiano do professor, a alma dele o dia todo. É uma violência que está não só na escola, mas no dia-a-dia. Por exemplo: vi o questionário socioeconômico enviado pelo Inep aos alunos inscritos no Enem. Está publicado no site do MEC a íntegra do questionário. Há uma seção: você e seus estudos. Em nenhum momento pergunta-se como o aluno estudou, quantas horas por dia... mas pede para o aluno avaliar o grau de conhecimento de seu professor, para definir se o professor é autoritário. E se acha que isso é normal, que o poder público coloque isso para quatro milhões de jovens. É uma falta de respeito atroz. É aparentemente algo profissional, mas é uma violência que acaba com a moral e a vontade do professor de trabalhar. É muito comum ler em jornais e revistas que o professorado é um bando de ignorante. Como vamos trabalhar no dia seguinte? Aí não há lei que resolva.

OE - Como entende a questão do assédio moral na escola?

Silvia Barbara - O assédio moral tem um agravante na escola, pois muitas vezes vem camuflado por discurso pseudopedagógico. Por exemplo, o professor elabora uma atividade, mas o aluno não veio. Então, o professor deve fazer uma prova substitutiva. Se isso se repete e hã pressões dos superiores por elaboração de tarefas que vão além do que o professor deve fazer é um tipo de assédio moral. Pode não ser aberto o assédio, haver argumentos pedagógicos, mas a pressão existe e não é escancarado. Vem camuflado por um discurso aparentemente pedagógico. A pressão, quando é camuflada, às vezes tem impactos muito mais sérios do que aquelas escancaradas.

OE - E qual é a saída do professor para esse tipo de situação?

Silvia Barbara - Propus, em um artigo escrito no ano passado, um limite de negociação com o aluno. Aparelhos eletrônicos na sala de aula,muitas vezes, ocasionam briga entre professor e aluno. Uma solução é criar norma de conduta social que defina algumas regras na escola e estabeleçam limites do que é negociável e não é. Não precisa de lei, mas deve ficar claro que, quando o aparelho é retirado do aluno, o coordenador não pode devolver no final da aula. Uma forma de reduzir determinados atos de violência, muitos praticados por coordenadores e donos de escolas contra o professor, é estabelecer um discurso mais respeitoso em relação ao professor. Não é preciso adulação, mas respeito.Se criarmos regras de conduta na qual se respeite o professor, a coordenação pedagógica e a imprensa respeite o professor, talvez reduza muito a violência que é praticada dentro da escola.



www.observatoriodaeducação.org.br




ALUNAS: 

BRUNA VALÉRIA FEDER               MATRÍCULA: 13212080355
VALÉRIA IVO CALICCHIO             MATRÍCULA:14212080160

















































 

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